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quarta-feira

diálogos: a ex e eu


 - meu coração virou o albergue da prudência.
 - e o meu, como sempre, uma colônia de férias.

domingo

to tentando, mesmo.
escrever alguma coisa, desafogar alguma coisa. afogar.
to precisando morrer e não consigo. já levei facada pelas costas, tiro na cara. não morro.
não faço rima. nem quero. parecer. agora não. dá.
estou e não estou, fico e vou andando ligo um cigarro na tomada
sangro, estanco. sangro. NADA vai embora. eu vou.
não sei qual é o lance, morrer, parir, nascer ou escrever uma merda dessas.
preciso dos meus leões no meu quintal. meus.
preciso vomitar essa bola de pêlo que achei que fosse amor. e foi, talvez. é. se fosse. teria sido.
não. agora nunca mais.

sábado


   Mas eu, em cuja alma se refletem   
   As forças todas do universo,  
   Em cuja reflexão emotiva e sacudida  
   Minuto a minuto, emoção a emoção,  
   Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —  
   Eu o foco inútil de todas as realidades,  
   Eu o fantasma nascido de todas as sensações,  
   Eu o abstrato, eu o projetado no écran,  
   Eu a mulher legítima e triste do Conjunto  
   Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
álvaro de campos
Eu não entrei em nada, e nada entrou em mim
até você chegar com a chave.

quarta-feira

Ando engolindo noites.

as ondas aqui dentro estão ficando violentas e o salva-vidas não está
mas o mar não me quer... hoje
hoje, o mar não me quer
talvez eu volte amanhã pra brincar.

segunda-feira

Dragão só

não há chão. a sensação de queda é densa o suficiente para fundir meu coração ao estômago.
é escuro aqui onde não estou.

domingo

dentro de mim tem uma esquina que nunca dorme
e vários caminhos
vários.

Desaparecidos

meus livros com paradeiro desconhecido.. emprestei? abandonei?
não lembro, mas hoje deu saudade:

- A literatura e o mal - Georges Bataille
- O erotismo - Gerorges Bataille
- História do Olho - Georges Bataille
- O Padre C. - Georges Bataille

O único que ainda descansa na minha estante é o belo e violento Minha Mãe, também de Bataille.
Muito apropriado, eu diria.

sexta-feira

quinta-feira

Won´t find it here - Black Label Society




You say that you're down, now
Can't find a place to rest your head
The leaves have all fallen
And your garden is dead
Turning your back now
Ain't nothing left to say
No need for tomorrow
When you can't find today

When you can't find today, oh
When you can't find today, oh
Search all you want, oh
Well you won't find it here, oh
Well the fortunes you seek, oh
They were always right here
They were always right here

Alone once again, now
Walked a mile inside your head
This movie's been played now
All is done and all is said
You're running so fast now
You can't get away
No need for tomorrow
When you can't find today

terça-feira

A esperança, essa puta. Que me desconcentra. Essa vaca virtuosa travestida de verde [...] me arremessa no improvável. E me galopa o peito, dando ainda de mim o renegado, o proibido. Batendo mil vezes a minha cara de tédio no teu músculo vermelho escuro. Estou nesse lugar vago entre. Esse lugar vago entre o momento e o eterno. Esse lugar vago onde a palavra inflama.

quarta-feira

eu sei. que to com o saldo negativo. que deixei faltar pra vocês, que virei as costas e nem ofereci a bunda. que te privei minha cara, da minha canalhice, da minha nada modesta infâmia.
prometo resplandecer crapulosa..

segunda-feira

"Digamos que um dia você percebesse que o seu único grande amor era uma falácia, um arrepio sem razão. Digamos que você percebesse que 40% de álcool apenas te garantia emoção concentrada como Sopa Knorr, envergorihada, arriscando o telefonema internacional que dá margem a suores contrariando o I Ching que manda que eu me cale, ou diga pouco, ou pelo menos respeite esse silêncio."

sexta-feira

Cassilda!

Eu queria uma estrada vazia, uma moto Harley, uma música dos Rolling Stones ou do Iggy Pop, e uns arbustos lisergicamente coloridos de paisagem. Meu coração é um moinho.

quinta-feira

Comm’e bella la signora!

Faz tanto tempo que eu não escrevo. Um bilhete, uma frase qualquer no papel. Nem sei como começar. Folhas em branco me oprimem, tenho a sensação de que elas são sagradas, limpas, puras e blábláblá, e seria muita heresia da minha parte bolinar o papel com minha caneta profana (..)
O que eu queria mesmo era um contato menos intelectual e mais carnal com você, e pensando mais ‘profundamente’, o carnal nunca deixou de ser intelectual. E vice-versa.
A verdade é que eu me perco aqui. Perco a linha e fico parecendo uma imbecil cheia de purpurina e falso pudor. E pudor é o que lá no fundo me falta nas horas vagas. Nas horas em que quero burlar você (gosto do jeito dessa palavra). Não me importo mais com o que isso possa parecer. É a minha demonstração de romance, o Desaforo.
Eu sou uma pessoa trancada em três linhas, mas sei beijar e trepar muito bem. E as pessoas que me felicitam são as que menos me compreendem.
Me mande beijos da próxima vez.

sexta-feira

to aqui pensando por que eu gosto tanto de viver: não sei.
cortei meu cabelo, agora pareço uma emo que não gosta de parecer emo. complicado. eu to lotada de trabalho. cansada. só tenho talento pra moleza. me empolguei com essa história de mais uma tatuagem, pensei em um poema inteiro nas minhas costas gordas. não quero parecer alguém assim tão descolada. tenho preguiça de impressionar. já tenho uma boa fama de que não me interesso pelas pessoas. eu gosto dessa fama, é tudo verdade. só to te dizendo essas coisas porque eu não tenho nada melhor pra dizer. to com pena da Donatela. a Donatela da novela das 8. mas to torcendo pra Flora.

quarta-feira

Sonhei que meu pai me levava de volta ao internato, eu não quis. Acordei com medo, com severa e atemporal serenidade. Pensei em escrever cartas e inventar endereços. Pensei no carinho que tenho por mim. Me devolvo ao resto dos meus dias, e com habilidade de malabarista controlo o caos. Assim eu me fixo, e ninguém mais que eu me tira.

terça-feira

De quando eu seguia as formigas, com a fuça afundada na grama, e me frustrava que não podia entrar na terra com elas. Em polaroid eu vejo uns pedaços de mim, de infância vivida e esquecida. De coração do lado de fora. Eu me mistifico com auto-regressão.

sexta-feira

Sobre o vazio(...)
De quando voce estafa de ser machucado. De graça.
Das coisas que voce engole pra se manter. Inércia.
Do cuidado, de todo o cuidado. Mazelas. Que todo mundo chama de amor.